terça-feira, abril 10, 2007

3.º Encontro de Contadores de Histórias em Avis


3.º Encontro de Contadores de Histórias em Avis



16 de Abril - Auditório Municipal "Ary dos Santos"

Organização : Biblioteca Municipal de Avis


PROGRAMA
:

9:00 – Recepção aos participantes

9:30 – Cerimónia de Abertura:
-Recepção do Sr. Presidente da Câmara
- Representação da peça “ Navegar....Navegar” pelo Grupo de Expressão Dramática e Clube de Artes Virtuais

10:15 – “A importância dos contos no trabalho com minorias”, por Filipe Lopes (O Contador de Histórias)

10:45 - Pausa para café

11:00 - Provérbios Ilustrados (um aluno do 5º A)

11:15 – “ Os Tesouros da Memória e a Literatura Oral Tradicional” por Alexandre Parafita (Investigador, Escritor e Professor na UTAD)

12:00 – Debate

12:30 – Almoço Livre

14:00 – “Improvisos e Divagações” por Manuel Borges (Actor)

14:30 – “Teatro e Expressão Dramática: Outras leituras” por Patrícia Amaral (Animadora e Actriz na ACTA)

15: 00 – “ Mediadores da Leitura – Procuram-se” por Cristina Taquelim (Biblioteca Municipal de Beja)

15: 45 – Pausa para café

16:00 – Património contado e cantado :
Elisabete Pereira (Fundação Arquivo Paes Teles)
Marta Alexandre (CM Avis)
Paula Freire (CM Avis)

16:30 - Debate

17:00 - Grupo de Cantares

21:00 - Contos ao Serão:
Abertura lúdica pela Ludoteca Municipal
- Hermínia de Jesus Lageira
- Filipe Lopes
- Patrícia Amaral
- Manuel Borges

sexta-feira, março 09, 2007

Entrevista com António José Ramos de Oliveira, Bibliotecário da Biblioteca Municipal da Guarda, ao jornal “A Guarda”

A nova Biblioteca Municipal vai “provocar um grande impacto na cidade”

António José Ramos de Oliveira, natural da Coimbra, está na Guarda há vários anos, onde desempenha a função de Técnico Superior de Biblioteca e Documentação da Biblioteca Municipal da Guarda. Em entrevista ao Jornal A Guarda, António Oliveira dá a conhecer alguns aspectos interessantes relacionados com um espaço cultural prestes a mudar para a nova casa, na Quinta do Alarcão.


A Guarda: Quem é António Oliveira?

António Oliveira: É o Técnico Superior de Biblioteca e Documentação da Biblioteca Municipal da Guarda. Tem como função a gestão desse espaço.

Por outro lado define-se como uma pessoa que gosta de ler, conhecer outros povos, ver cinema e estar perto do mar.

A Guarda: Como apareceu a sua ligação à Guarda?

António Oliveira: Acabado o Curso de Especialização em Ciências Documentais e após auscultação do mercado de trabalho, surgiu a oportunidade de emprego na cidade da Guarda. Na altura, entre a possibilidade de optar pelas Bibliotecas do Instituto Politécnico da Guarda ou da Câmara Municipal, optei pela última uma vez que me fascina mais o universo da Leitura Pública.

A Guarda: A Biblioteca é uma paixão ou uma obrigação?

António Oliveira: É uma paixão. Desde pequenino que tive contacto com os livros e com as Bibliotecas.

Era frequentador assíduo das bibliotecas nas escolas, recordo-me perfeitamente do cantinho dos livros na escola primária e, fora disso, de frequentar a Biblioteca Fixa da Gulbenkian em Soure e a velhinha Itinerante. Ainda hoje mantenho esse gosto.

A Guarda: No seu ponto de vista como é que os cidadãos, em geral, olham para a Biblioteca Municipal?

António Oliveira: O actual edifício, inaugurado em 1987, registou grande impacto na cidade uma vez que a Guarda passava a dispor de uma biblioteca moderna. Como é natural, com o passar dos anos, a imagem da biblioteca vai sofrendo alterações. De qualquer modo, com a breve inauguração da Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, tenho a certeza que os cidadãos vão passar a olhar mais para a biblioteca.

A Guarda: Considera que a Biblioteca Municipal da Guarda está bem inserida na vida social da cidade?

António Oliveira: Penso que sim embora já se encontre algo ultrapassada. Esta questão será resolvida com a nova Biblioteca uma vez que esta irá dispor de todos os serviços modernos no âmbito do livro e da leitura.

A Guarda: Qual o balanço que faz das actividades realizadas pela Biblioteca Municipal ao longo dos últimos anos?

António Oliveira: Nos últimos anos a biblioteca registou uma significativa melhoria ao nível da oferta dos seus serviços. Para além do aumento do Fundo Documental passámos a dispor de acesso à Internet, serviço de fotocopiadora, apoio a bibliotecas escolares e uma animação regular no âmbito da leitura. Talvez tenha sido este último facto o mais importante.

A Guarda: Quais as actividades programadas para este ano?

António Oliveira: Uma vez que estamos numa fase de pré-instalação da nova biblioteca, o processo normal de programação sofreu alterações. Por esse motivo não podemos ainda dispor desses dados, mas devido às novas condições do edifício a animação terá um novo incremento.

A Guarda: Admite que a Biblioteca Itinerante possa acabar, tendo em conta a redução do número de alunos e o fecho de escolas nas freguesias rurais?

António Oliveira: Este ano deparámo-nos com o fecho de algumas escolas primárias. Prevê-se que para o ano tal volte a acontecer. Por esse motivo já reformulámos o trajecto da biblioteca Itinerante. No entanto não me parece que este serviço possa encerrar mas sim sofrer alterações. Por exemplo poderemos, passando mais tempo em cada escola, realizar actividades de animação no local ou, considerando o envelhecimento das populações e o aumento dos utentes dos Centros de Dia, passar a oferecer o nosso serviço a essas instituições.

A Guarda: Considera que a Biblioteca Itinerante ainda continua a ser um meio privilegiado para muitos alunos contactarem com os livros?

António Oliveira: Penso que sim uma vez que, se nos centros urbanos, e nem todos, o acesso ao livro está bastante facilitado, através de oferta de, por exemplo, bibliotecas e livrarias, a realidade de quem vive nas freguesias rurais é outra.

Como tal a Biblioteca Itinerante constitui um meio privilegiado de as crianças terem um contacto com os livros.

A Guarda: A nova Biblioteca Municipal vai ser uma realidade a curto prazo. Como avalia a mudança para o novo equipamento?

António Oliveira: Vai, com certeza, provocar um grande impacto na cidade. Não tenho dúvidas uma vez que tal aconteceu em todos os caso similares. Recorde-se que vai oferecer serviços, para adultos e crianças, no âmbito do livro e da leitura, da animação, dos meios audiovisuais, das novas tecnologias, etc.

A Guarda: Considera que o projecto está devidamente adaptado à realidade actual?

António Oliveira: Penso que sim, até porque foi feito em parceria com o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e, como tal, obedece a todas as directrizes a um espaço com múltiplas ofertas deste sector cultural. Aliás, sinónimo de que tem acompanhado a evolução dos tempos, vai dispor algo que não estava previsto quando se iniciou o processo: o acesso à Internet sem fios para qualquer utilizador que o solicite.

A Guarda: De que forma é que a nova Biblioteca pode atrair novos leitores?

António Oliveira: Desde logo com a sua sala polivalente para animação, com o seu pequeno café, com a sua salinha da Hora do Conto que se pode isolar do resto da Sala Infantil, com a Sala de Leitura para adultos e crianças com toda a oferta do livro e das novas tecnologias, com uma biblioteca toda informatizada e com uma animação regular e de qualidade.

Por outro lado o seu espaço verde envolvente será também uma mais valia porque, para além do ambiente agradável de leitura ou acesso à internet sem fios, disporá também de um auditório ao ar livre. Por outro lado, com novas formas de animação, dentro e fora do edifício, poderão ser conquistados novos públicos.

A Guarda: O nome Eduardo Lourenço foi bem escolhido?

António Oliveira: Foi, porque é o escritor, do nosso distrito, mais importante actualmente.Na área dos grandes ensaístas portugueses, é-lhe considerada uma aproximação a António Sérgio, devido ao seu rigor crítico e à sua elegância incisiva do estilo. Como tal o nome para a nova biblioteca foi bem escolhida

Fonte: Jornal a Guarda - 8-3-007

segunda-feira, março 05, 2007

Diário do Director da Biblioteca e Arquivo Nacional Iraquiana, Saad Eskander. Janeiro e Fevereiro (até dia 12).


Em finais de Dezembro afixei um post, com o diário (por mim traduzido) do Director da Biblioteca e Arquivo Nacional Iraquiana (INLA), Saad Eskander. O Director tem cedido o seu diário à British Library que o tem publicado regularmente.

Relativamente ao mês de Janeiro não vou realizar uma tradução integral das passagens do Diário mas vou citar e resumir alguns momento mais relevantes:


O ambiente geral terror, raptos, destruição, assassínios, etc, manteve-se no novo ano de 2007. Mesmo na semana sagrada do Eid (1 a 6 de Janeiro) o clima geral de violência e destruição não acalmou.

No dia 9 de Janeiro as tropas americanas e a Guarda Civil iraquiana resolveram tentar ‘limpar’ a Rua de Haifa, junto à qual se encontra Biblioteca e Arquivo Nacional Iraquiana (INLA), de grupos de terroristas. Todos o pessoal da INLA teve de ser evacuado de emergência e a Biblioteca esteve encerrada até dia 13 de Dezembro, abrindo a 14. Encerrou de novo a 18, devido a bombardeamentos na área.

Dia 20 o irmão de uma funcionária da biblioteca foi assassinado por um sniper. Dia 23 dois técnicos foram raptados e depois libertados (sem ferimentos). Um irmão e um primo do coordenador da secção de restauro foram assassinados. Um irmão e pai de um outro funcionário foram feridos. Dia 25 o supervisor do “Baghdad memory Project” perdeu o filho.

Dia 23 novo ataque tropas americanas e da Guarda Civil iraquiana à Rua de Haifa e novo evacuação da INLA de emergência. Ao longo do mês muitos funcionários e bibliotecários receberam ameaças de morte com o objectivo de abandonarem as suas casas; e na zona envolvente da INLA sucederam-se muitos tiroteios e bombardeamentos.



Entretanto o brasileiro "Globo Online" traduziu passagens do Diário relativas a Fevereiro (dia 3 a dia 12), com uma introdução inicial:

"Saad Eskander é diretor da Biblioteca Nacional do Iraque, em Bagdá, mas nem sempre está ocupado pondo ordem em arquivos e catalogando documentos. Este curdo-xiita, de 44 anos, dedica boa parte de seu tempo esquivando-se das explosões que assolam diariamente a capital iraquiana e tentando evitar que o seqüestrem — enquanto ainda tenta driblar as constantes faltas de luz em sua biblioteca ou assegurar que, durante pelo menos uma hora por dia, tenha conexão à internet.

Graças à rede, Eskander envia, desde Dezembro de 2006, um relato diário sobre a situação do Iraque à Biblioteca Britânica, em Londres, que pode ser lido por meio do endereço: www.bl.uk/iraqdiary.html.

Com uma linguagem simples, o bibliotecário em seu blog descreve com a mesma serenidade o horror dos ataques, a visita a um ministro ou suas conversas com familiares.

A biblioteca que dirige foi saqueada e queimada por iraquianos logo depois da invasão americana, em 2003. Cerca de 60% do acervo, 95% dos livros raros, foram levados ou destruídos. Desde então, Eskander gerencia o que sobrou dela e tenta reconstruí-la, com a ajuda da Biblioteca Britânica. Apesar de tudo, Eskander diz que quer ficar no Iraque.

— Creio no futuro democrático deste país. Se formos embora, ganha a violência — afirma, numa entrevista ao “El País” pelo telefone.

A seguir, relatos da vida de Eskander sobre alguns dias do mês de fevereiro:

Sábado, dia 3 de Fevereiro: “Um dia sangrento, um dos mais sangrentos já ocorridos em Bagdá. Um caminhão explodiu num mercado, matando mais de 150 pessoas. Um funcionário da biblioteca ficou ferido, o outro perdeu um primo.”

Domingo, Dia 4: “Outro dia ruim. Uma explosão do lado de fora fez tremer nosso edifício. Ficamos presos aqui por horas. Quando saímos, vimos uma carnificina e alguns carros completamente destruídos.”

Segunda, Dia 5: “A luz está sendo cortada a todo o momento. Fui ao Ministério da Energia tentar persuadi-los a deixar a Biblioteca Nacional de fora do programa de cortes (que estabelece um máximo de entre duas e três horas de eletricidade por dia). Meu pedido foi negado pelo ministro. Agora não me resta nada a fazer, senão pressionar o Ministério da Cultura para que consertem nosso gerador. No meio da manhã, soube que o irmão do senhor K. (do departamento de catalogação) morreu. Às 14h, um grupo de homens atacou o bairro onde vivo. Muitos mortos, feridos, civis, inocentes... Depois, fui visitar um primo meu, ferido num ataque há duas semanas. Foi um dia triste.”

Terça, Dia 6: “Nenhuma explosão nem disparos. Repassei a lista dos funcionários ausentes da biblioteca e me dei conta de que o senhor M. está desparecido desde a explosão de sábado. Recebi a visita de um conhecido ator, que queria que alugássemos nosso teatro para um filme. Prometi ceder-lhe o espaço de graça porque estamos de acordo que é preciso continuar promovendo atividades culturais du$os tempos difíceis.”

Quarta, Dia 7: “Ainda sem notícias do senhor M. Começamos a achar que ele morreu no atentado de sábado e ninguém achou seu corpo.”

Quinta, Dia 8: “Dois funcionários nossos (um xiita e um sunita) se ofereceram-se para procurar o senhor M. na área do mercado bombardeado. Disse que não, que era perigoso, mas eles foram mesmo assim. Uma hora depois, a senhora B. entra em meu escritório, chorando muito. Homens armados seqüestraram nosso funcionário xiita, libertaram o sunita quando $sua etnia. Mais tarde, o corpo do xiita foi encontrado num beco. À noite, meu irmão me ligou de Londres para saber como andam as coisas. Ele mostra-se otimista em relação ao novo plano de segurança para Bagdá, crê que trata-se da última oportunidade para nós. Se não funcionar, me diz ele, será o fim de um país e a escalada de uma guerra civil sem precedentes.”

Sábado, Dia 10: “O ser humano não é perfeito. Não há mais notícias sobre a execução do bibliotecário nem do senhor M. Decido formar um comitê para investigar o caso. Me dou conta que, hoje em dia, em Bagdá, o ser humano perfeito seria aquele capaz de desconectar todos os seus sentidos. Ser cego e surdo não seria uma maldição neste país, e sim uma bênção.”

Domingo, Dia 11: “O trânsito está caótico, muitos guardas americanos e iraquianos nas ruas, que levantaram vários postos de controle e fecharam as principais ruas da cidade. O senhor M. reapareceu, mas não deu nenhuma explicação sobre onde esteve. A senhora M. ligou para dizer que não vem trabalhar hoje porque uma bala perdida matou sua filha. O marido dela e dois outros filhos haviam sido seqüestrados duas semanas atrás, mas foram libertados.”

Segunda, Dia 12: “Antes levava quatro minutos para ir da minha casa ao escritório. Agora, levo entre 20 e 25 minutos por causa do excesso de postos de controle, fechamento de ruas e atentados terroristas. Para chegar ao escritório, passo por quatro postos de checagem. Bagdá se parece cada vez mais com um quartel. Uma outra funcionária pede demissão, dizendo que deixará Bagdá com sua família e se mudará para o sul. Desejo-lhe boa sorte. Meu irmão me liga de novo de Londres, me sinto culpado pela dor e pela ansiedade que minha decisão de permanecer em Bagdá provoca nele e em minha irmã, que vivem no exterior. Todos os dias eles me suplicam para que eu saia daqui.”




Autoria do quadro: Saad Eskander

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Ciclo de Conferências sobre Ciências Documentais na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa, de Janeiro a Abril



Ciclo de Conferências sobre Ciências Documentais


Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa


Datas: 19 e 26 de Janeiro, 9 de Fevereiro, 27 de Abril e 18 de Maio de 2007.



Programa:

19 de Janeiro (6ª Feira) / 14:30h
"Fundamentos dos Estudos Bibliométricos”

por Mª Ángeles Zulueta García, Licenciada em Medicina e Doutora em Ciências pela Universidade Autónoma de Madrid. Professora Titular da Universidade de Alcalá (Madrid, España).

“A Bibliometria é uma disciplina incluída no campo da Documentação Científica, que tem como objectivo a análise e avaliação da actividade científica mediante a aplicação de técnicas estatísticas aos diferentes elementos bibliográficos, contidos nos documentos científicos.
Surgiu como resultado da curiosidade dos próprios investigadores para conhecerem o seu âmbito de trabalho, mas hoje converteu-se numa ferramenta muito importante para a tomada de decisões em Políticas Científicas e para a Gestão de Bibliotecas Especializadas. “



26 de Janeiro (6ªFeira) / 14:30h
"A Biblioteconomia e a Documentação como objecto/s de Investigação”

por Esperanza Martínez Montalvo, Doutora em Ciências da Informação pela Universidade Complutense de Madrid, Professora titular da Universidade de Alcalá (Madrid, España) e Coordenadora, por Alcalá, do Doutoramento em Ciências Documentais da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa.

“O objectivo de nos familiarizarmos com o conhecimento da área da Documentação de um ponto de vista científico, pressupõe uma grande complexidade, uma dificuldade que se manifesta desde as suas origens devido ao seu carácter multidisciplinar e ao aparecimento de numerosos contributos teóricos que a trataram a partir de perspectivas muito divergentes, dando lugar a definições muito díspares e à utilização de termos muito distintos para a designar. Penetrar no seu entendimento supõe reconhecê-la, não só como uma realidade que tem de ser analisada, medida e compreendida mas também como produto cultural que há que desenvolver e gerir, em constante processo de criação. É um saber que faz parte das características comuns da Ciência e que aplica métodos científicos para a recolha, classificação, ordenação e interpretação dos dados, por forma a chegar aos princípios e às causas mais gerais da actividade científico-informativa da qual se ocupa.”



9 de Fevereiro (6ª Feira) / 14:30h
"A Avaliação em Espanha dos Serviços de Informação e Documentação para uma Integração no Espaço Europeu"

por Ana Isabel Extremeño Placer, Doutora em Ciências Políticas pela Universidade Complutense de Madrid e Professora titular da Universidade de Alcalá (Madrid).

“O desenvolvimento de sistemas de garantia de qualidade constitui uma prioridade do Espaço Europeu de Educação Superior. Neles se incluem os processos de avaliação da qualidade dos serviços que prestam as Universidades Espanholas, entre os quais destacaremos, pela sua relevância na aprendizagem, docência e investigação, os serviços prestados pelos Centros de Informação e Documentação. A Agência Nacional de Avaliação da Qualidade e Acreditação (ANECA) será o orgão responsável por cumprir esses objectivos seguindo as recomendações internacionais que são sustentadas pelo modelo EFQM, desenhado pela própria Agência, para tal fim.”



27 de Abril (6ª Feira) / 14h30
Investigação em Edição Contemporânea

Emilio Torné Valle
Doutor em Documentação pela Universidade Carlos III de Madrid e Professor Contratado Doutor da Universidade de Alcalá (Madrid)



18 de Maio (6ª Feira) / 14h30
Gestão Electrónica de Documentos e Acesso à Informação

Julio Cerdá Díaz
Doutor em História Moderna e Contemporânea pela Universidade de Murcia e Professor Associado da Universidade de Alcalá (Madrid)


Fonte: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias de Lisboa

sábado, fevereiro 17, 2007

Programa do Seminário "Hábitos de Leitura Continuada: Partilha de Boas Práticas", na Biblioteca Municipal de V. N. Famalicão (26 de Fevereiro)

Seminário "Hábitos de Leitura Continuada: Partilha de Boas Práticas"



Data de realização: 26 de Fevereiro de 2007


Programa:

9h30 – Recepção dos Participantes
9h45 – Sessão de Abertura
10h – Plano Nacional de Leitura – Estratégias de Intervenção
Teresa Calçada - Ministério da Educação*
Maria Carlos Loureiro – Ministério da Cultura – IPLB*

10h30 – A Música das Palavras na Iniciação à Leitura – “A Cantar estás a Ler!”
Helena Rodrigues/Paulo Maria Rodrigues - Prof. Auxiliar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; Directora Artística da Companhia de Música Teatral / Prof. na Universidade de Aveiro, Depto. de Comunicação e Arte; Compositor Residente da Companhia de Música Teatral

10h50 – Estratégias de Motivação para a Leitura
Fernanda Leopoldina Viana – IEC – Instituto de Estudos da Criança - Universidade do Minho*

11h10 – Coffee-Break

11h30 - Guia Metodológico de Partilha de Boas Práticas – Apresentação
Elisabete Dinis – Consultora/Directora Pedagógica de “A Bogalha”

11h45 - Síntese dos Trabalhos
Henrique Barreto Nunes – Director da Biblioteca Pública de Braga

12h10 – Debate

12h30 – Fim dos Trabalhos da Manhã

14h30 – Representação Teatral “A Galinha Medrosa”, adaptação de António Mota, por um Grupo de Crianças do Jardim de Infância das Lameiras, envolvidas no Projecto

* a confirmar



Contactos:

ADRAVE – Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Ave, SA
Av. Barão da Trovisqueira, nº 358, r/c, 4760-126 V.N. de Famalicão
Tel. 252 302 600
Fax. 252 302 609

Pessoa de contacto: Dra. Paula Peixoto Dourado
email: paulapd [arroba] adrave.pt

Fonte: ADRAV

sábado, janeiro 13, 2007

Diário do Director da Biblioteca e Arquivo Nacional do Iraque.

Este post é dedicado a um senhor que pretende erguer uma das bibliotecas de maior orçamento na história nos Estados Unidos e contratar centenas de académicos para reescreveram a (sua) História. E também à sua esposa que se toma por vezes como a rainha do Sabá.

Nota: O sr. G.W. Bush no fatídico dia 11 de Setembro asseverou que iria vingar o perecimento das 2974 pessoas em Nova Iorque. superou esse número ao cobrar a vida de, pelo menos, mais de 3000 soldados americanos no Iraque.
Da meia centena de passageiros sobreviventes à travessia do pioneiro Mayflower seis são ascendentes do sr. Bush, outros sete seus familiares morreram durante a viagem. Isto foi em 1620 e G. W. Bush faz questão de recordar nas celebrações anuais do Mayflower esse episódio. Os do clã dele afiguram-se os altíssimos, já os outros americanos continuam a ser “carne para canhão”.

Traduzi as Últimas entradas do diário de Saad Eskander, Director da Biblioteca e Arquivo Nacional do Iraque.

Sábado, 11 de Novembro de 2006

Saí de Roma para Amã, e no dia seguinte cheguei ao aeroporto internacional de Bagdade. É bem sabido que a estrada, que liga o aeroporto à cidade de Bagdade, é a estrada a mais perigosa no mundo.

Por uma razão da segurança, eu pedi ao taxista que parasse no primeiro ponto de verificação militar, que está a 3 minutos de carro do aeroporto. Não se pode nem deve confiar em quase ninguém, sobretudo taxistas do aeroporto. Mas no ponto de verificação a polícia mandou-me avançar pois suspeitavam de um carro abandonado no local. Segui então no táxi. A estrada estava num estado caótico pois todos tentavam deixar a área do aeroporto, incluindo os polícias e os soldados, que não hesitavam em apontar as suas armas na nossa direcção, quando nosso carro retardou a marcha, a fim de permitir que seus carros passassem.

Eu disse ao taxista para seguir directo para o meu escritório. Minutos depois de deixarmos a via rápida, dois terroristas bombardearam um ponto de verificação da polícia no distrito próximo de al-Yarmook-Yarmook, matando 60 pessoas e ferindo 90 outras. Decidimos seguir outro percurso via o distrito do al-Karradah-Karradah. Logo que entrámos neste distrito dois carros-bombas explodiram matando e ferindo muitos civis. Decidi então não me dirigir ao meu escritório, porque as outras estradas principais também eram extremamente perigosas. Na verdade, no mesmo dia e na área muito concorrida de al-Sa’adun-Sa’adun, mais dois carros-bombas explodiram, matando e ferindo muitas pessoas. Era um sinal de boas-vindas e um regresso à realidade!


Segunda-feira, 13 de Novembro

Neste dia assim que cheguei ao meu escritório recebi logo más notícias. Na minha ausência (9 a 11 de Novembro), o INLA (Iraq National Library and Archive) foi bombardeado duas vezes e muitos vidros das janelas estavam partidos. Felizmente, ninguém foi ferido. Durante o resto da semana tentei aconselhar muitos dos meus funcionários como agirem no dia-a-dia, em face de eles terem recebido ameaças de morte. Nos bairros dominados por xiitas, os sunitas receberam um ultimatum para abandonarem os bairros e vice-versa.

Na minha ausência dois funcionários foram assassinados, um trabalhava no departamento de informática, e o segundo era um guarda. Três dos nossos taxistas, que trabalhavam para nós a contrato, foram assassinados e três outros foram feridos.


Terça-feira, 20 de Novembro

Este foi o meu pior dia do ano.

Assim que meu carro chegou ao edifício principal, ouvi duas grandes explosões. Os extremistas sunitas bombardearam com morteiros a cidade médica e o ministério da saúde. Ambos os edifícios estão a 200 metros da nossa instituição Ouvi uma outra explosão 50 minutos mais tarde. A troca do fogo continuou por uma hora e trinta minutos. O Ministério da Educação foi atacado a semana passada e cerca de 100 dos funcionários foram levados como reféns.

Nadia, uma bibliotecária que trabalha no departamento de informática, não veio hoje trabalhar. Foi-me dito que seu pai foi atingido por uma bala num pé. Eu percorri alguns dos departamentos e falei à minha equipe de funcionários com o intuito de elevar a sua moral.

Às 11 horas recebi uma notícia devastadora. Fui informado que Ali Salih foi assassinado na frente de sua irmã mais nova. Ali era um homem novo brilhante. Eu mandei-o a Florença para receber mais formação em web-design. De volta ele a Nadia começaram a construir e gerir nosso website oficial. Era ele o símbolo da modernização e do processo da reforma da INLA. Eu empreguei-o em Janeiro 2004, como muitos outros novos bibliotecários e arquivistas. Foi um dia muito triste. Todos os outros funcionários ficaram muito consternados e abatidos.

Antes de sair, realizei uma reunião com os chefes de todos os departamentos. Sugeri que para razões da segurança devemos dividir a equipa de funcionários em três grupos. Cada grupo trabalharia somente durante dois dias e que as salas principais da leitura do arquivo e da biblioteca devem, como usualmente, permanecer abertas aos estudantes e investigadores da universidade. Todos concordaram com a minha decisão. Alguns aproveitaram para me aconselhar a sair do país mal pudesse pois tornava-se cada vez perigosa a minha permanência.

Retornei a casa muito deprimido. Abracei o meu filho de 6 messes e lembrei-me que Ali deixou dois filhos, um de seis meses e outros de 3 anos.

Domingo, 10 de Dezembro

A INLA reabriu como planeado. Alguns dos funcionários não puderam comparecer pois as estradas foram bloqueadas pelo exército e pelas forças americanas.

Na terça-feira encontrei-me com o empresário que irá renovar partes do edifício. Concordámos que cada operário teria uma identificação própria para mostrar aos guardas na entrada.

Na quarta-feira tive mais más notícias. Um grupo terrorista atacou a casa de um dos meus funcionários. Ele e um dos filhos foram feridos, enquanto que o outro filho, um médico, foi morto. No mesmo dia encontrei os irmãos de Ali. Disseram-me que Ali resistiu ao grupo de 4 homens que o queriam matar. Conseguiu derrubar dois, mas um atingiu-o com uma arma de fogo numa perna, e de seguida na cabeça, estômago e pescoço. Ali foi deixado na rua a morrer. Nessa manhã a rua até estava muito movimentada, mas ninguém ousou intervir por medo. É muito provável que os assassinos sejam membros de uma das milícias que se introduziram nas forças de segurança.

O nosso maior perigo agora são os snipers. Na Quinta resolvemos mudar o nosso itinerário, como medida de prevenção. Mal chegamos à área de al-Sinak, soubemos que um grupo de terroristas tinha acabado de raptar 40 pessoas. A polícia e os guardas de diversos edifícios governamentais que presenciaram o facto recusaram-se a intervir e os terroristas abandonaram o local sem grandes pressas.


Semana de 16 a 21 Dezembro

A segurança está a deteriorar-se progressivamente na nossa zona. De tempos a tempos diferentes grupos armados atacam civis, casas e edifícios do governo. A maior parte das estradas estão bloqueadas.


Semana de 23 a 28 Dezembro

Mais uma má semana para a INLA

No Domingo soube que Ahmed Salih, um funcionário da biblioteca, que em breve ia deixar Bagdad, foi assassinado na sua casa por terroristas. Estava noivo desde há 2 semanas.

Na Segunda-feira, recebi mais más noticias. O irmão mais velho de Maiadah, que trabalha no Departamento dos Periódicos, foi assassinado por terroristas.

Estamos em época de festividades religiosas e a segurança é pior que nunca. Temos quatro cristãos na nossa instituição. Os dois primeiros, 'A' e 'B', trabalham no Arquivo, o terceiro na Biblioteca e o quarto, 'D' no meu gabinete. Dei-lhes 5 dias de folga para celebrarem o Natal. 'D' apenas usou um. Ela continuou a aparecer mesmo com as estradas cortadas. Aconselhei-a a cobrir a cabeça, quando passasse por áreas perigosas (isto é, controladas por milícias e gangues armados). Ela disse que usava o Hijab há algum tempo para esconder a sua identidade cristã.

Nas ruas de Bagdad, mesmo em frente dos ministérios, sucedem-se tiroteios entre grupos terroristas e os guardas governamentais.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Das Bibliotecas mais contemporâneas do mundo, quer nos equipamentos, quer na filosofia de acção

A revista Business Week na sua página online tem vindo ao longo dos últimos anos a realizar uma massiva eleição das dez maravilhas do mundo moderno nas mais variadas áreas: por temas (obras de engenharia, arquitectura, estruturas e edifícios ecológicos, carros, natureza, etc.), por países, por anos, etc. Contudo constata-se que a revista dá um maior destaque a obras dos Estados Unidos.

Um dos temas escolhidos foram as Bibliotecas. As bibliotecas não foram apenas escolhidas pela arquitectura dos seus edifícios mas também por múltiplos outras aspectos (tecnologias que incorporam, sua filosofa de actuação, serviços inovadores, acesso à informação, etc).

Aceder ao artigo

As bibliotecas escolhidas foram:

  • Biblioteca Alexandrina, Egipto (consórcio Snohetta/Hamz - 2002)
  • Biblioteca Pública de Seattle, EUA (arqtº Rem Koolhaas/OMA - 2004)
  • Biblioteca de Filologia, Universidade de Freie, Berlim (Norman Fostner and Partners - 2005)
  • Biblioteca William F. Ekstrom, Louisville, EUA (arqtos Voelker/Winn - 2000)
  • Biblioteca Pública de Los Angeles – Extensão de Lake View Terrace, EUA (arqtos James Weiner & Fields Devereaux - 2003)
  • Biblioteca e Museu Pierpont Morgan, Nova Iorque, EUA (Gabinete de arquitectura Renzo Piano – 2006)
  • Biblioteca da História da Família – Igreja Mórmon, Salt Lake City, EUA (Arquitectos MHTN em associação com Pfeiffer Partners - 1985)
  • Biblioteca Pública de Ulm, Alemanha (arqtº Gottfried Böhm – 2004)
  • Mediateca de Sendai, Japão (arqtº Toyo Ito - 2000)
  • Biblioteca do Congresso, Washington , EUA (1800)

Não se entende muito bem a escolha da Biblioteca do Congresso, visto ser a sua data de abertura ser algo desfasado relativamente às outras.

Poder ser visualizada num set do Flickr mais fotos que compilei: da Biblioteca Pública de Seattle, da Biblioteca Alexandrina, da Biblioteca da Univ. de Freie, e da Mediateca de Sendai. Para poderem identificar cada uma, em caso de dúvida, observem as tags respectivas.

A propósito, post sobre Biblioteca de Filologia da Universidade de Freie, em Berlim, que publiquei há cerca de um ano "Bibliotecários sem Fronteiras"aquando da inuaguração desta biblioteca.

O artigo da Business Week é constituído por um texto principal e depois para cada biblioteca foi elaborado um texto alusivo realçando as características por que foi escolhida nesta selecção.


Traduzi parte do texto principal da autoria da jornalista americana Helen Walter:

Algumas bibliotecas são modelos de sofisticado design ecológico. Na Biblioteca de Filologia da Universidade de Freie, em Berlim, projectada por Norman Foster, 60% da sua ventilação anual tem origem natural. Por outro lado, a extensão de Lake View Terrace da Biblioteca Pública de Los Angeles é a única biblioteca nos Estados Unidos que foi galardoada com o prémio Platinum LEED (Autonomia energética e design ambiental)

De facto, muitas destas novas e renovadas bibliotecas são, o que se pode chamar, de tecnologia de ponta. A biblioteca William F. Ekstron Library em Louisville, Kentucky, incorpora um designado “Sistema Robótico de Recuperação” que consiste num guindaste que percorre as estantes encontrando o livro solicitado entre 1,2 milhões de volumes e de seguida deposita-o no balcão de empréstimos em poucos minutos.

Lugares de Encontro.
Muitas destas bibliotecas têm experimentado recordes de frequência. Um dos factores que mais concorreu para isso foi a concepção de um sentido de comunidade. A biblioteca não se resume aos livros, DVD´s, computadores. Os arquitectos e designers mais progressistas têm vindo a enfatizar o papel social da biblioteca.

A Biblioteca Pública de Seattle (edifício central) projectada por Rem Koolhaas e seu gabinete OMA é um exemplo modelar. Antes de desenharem o edifício, os arquitectos observaram com muita atenção as diversas actividades organizadas e fomentadas pelas bibliotecas. Descobriram que o acesso aos livros e aos media representava apenas 1/3 das funções da biblioteca, ao passo que quase 2/3 destas actividades reflectiam o papel social da biblioteca para os grupos de leitura, aulas de informática, encenações, debates etc.

Deste modo na Biblioteca de Seattle é enfatizado o potencial de interacção social, oferecendo espaços públicos como uma ampla sala de estar onde os visitantes, os leitores e transeuntes podem casualmente encontrar-se. Para além disso este equipamento não possui conexões a qualquer ideologia, raça ou credo induzindo a participação o mais pluralista possível.

Paralelamente foi adoptado um arrojado design nos espaços, incluindo uma inovadora espiral de livros, uma longuíssima rampa onde os livros são alinhados pela classificação de Dewey. As autoridades ainda tiveram algumas reticências relativamente ao audacioso anteprojecto da Biblioteca, mas até foram os bibliotecários que se colocaram mais na linha da frente defendendo a sua concretização.

A sociabilidade assume-se cada vez mais como uma aspecto essencial na concepção dos espaços da biblioteca. Anteriormente esta era um espaço bastante silencioso e deveras povoado de estantes, mas entretanto a biblioteca tornou-se um espaço mais activo, mais ruidoso, onde se misturam as áreas de passagem, de convívio, lazer e de leitura.

Numa era gizada pelo acesso à informação e pelas redes sociais (mais reais ou mais virtuais) as bibliotecas podem assumir maior relevância que nunca.


As fotos aqui reproduzidas são do artigo.
(esq.: Biblioteca P. Seattle / dir.: Biblioteca Univ. Freie)

terça-feira, janeiro 02, 2007

"Los Lugares que Ocupa el Saber" / "Os Lugares que o Saber Ocupa" - Diogo Pires Aurélio

LOS LUGARES QUE OCUPA EL SABER


Diogo Pires Aurélio, 2004
(anterior Director da Biblioteca Nacional)


(Nota: original em Língua Portuguesa)

Debido a una de aquellas paradojas en las cuales la historia es fértil, tal vez no haja existido jamás alguien tan sensible a la arquitectura de las bibliotecas como Jorge Luis Borges, un ciego. En general, las bibliotecas y el saber que en ellas se guarda se asocian a una especie de lucha contra la voracidad del tiempo. En si mismo, el escrlbir es fijar algo, de manera que posibilite la comunicación con alguien que no está presente, o que se desconoce porque ni siquiera aun vive. Sin embargo, los materiales donde se escribe son siempre vulnerables, se pierden y corrompen el pasar de los anos. Por eso, las bibliotecas constituyen algo asi una segunda linea en ese combate por la preservación de lo que se ha registrado y perdura con el documento. Burlar el tiempo, guardar, para posibles lectores que vendrán en el futuro, copias de mensajes que de otra forma desaparecerian, ha sido siempre esa la función de las bibliotecas. Fue para eso que, según la leyenda, Heraclito de Efeso entregá sus obras en el templo de Artemisa, intentando de esta manera insuflarles el halo de inmortalidad que auguraba el estar cerca de la diosa. Las biblio­tecas, sin embargo, a la par con su relación con el tiempo, se recortan en la imaglnación de las civillzaciones tamblén como espacios, construcciones más o menos grandiosas, donde la búsqueda de una figuración sensible del saber y de los libros, con todo su peso mitológico y su variación por épocas y estilos, muchas veces, sobrelleva la inmediata funcionalidad. Los cuentos de Borges están impregnados de figuras de este tipo, disenos que se insinúan, en lo fantástico de su geometría, como esbozos de improbables edifícios donde se alberga las ilimitadas ganas de saber de sucesivas generaciones.

El saber se ampará, primero, en la intimidad de los templos, un espacio prohibido a los profanos. Algunos milenios después, ya en nuestros dias, comenzó a soltarse de las hojas de papel, tal vez el último de los materiales con el cual se hicieron libros y se difunde adora en la inmensidad de océanos virtuales, un espacio sin limites y, por esa razón, sin arquitectura. Durante ese tiempo, existe la historia de las bibliotecas, Y la historia de las bibliotecas, ese intervalo entre el misterio de los templos y la inmaterialidad de la Red, se traduce en una sucesión de modelos espaciales, todos ellos animados por el vértigo de guardar entre sus paredes todo lo que el mundo significa, arreglarlo al correr de sus galerias, organizarlo según la idea que los arqui­tectos tienen de él. La imaginación de Borges sintetiza lo esencial de ese projecto, en cualquiera de sus múltiplos y sucesivas configuraciones: «El universo (que otros llaman Biblioteca) se compone de un número indefinido,y tal vez infinito, de galerias hexagonales, con vastos pozas de ventilación en el medio, cercados por barandas bajísimas (...) La biblioteca es una esfera cuyo centro cabal es cualquier hexágono, cuya circunferencia es inaccesible,»

Semejante projecto, en toda su ambición desmedida y babélica, vio la luz la primara vez en Alejandria, la ciudad expresamente fundada para atraer a gente y hacer converger y acumular saberes de toda parte del mundo en un único espacio: la bi­blioteca, Antes, ya habia bibliotecas. En Mesopotamia, en China, en Índia, en el mismo Egipto, ya habia constituido y guardado sus colecciones, más o menos extensas, más o menos envueltas en magia, en senales inscritas en baldosas, papiros o pergaminos Pero eran, sobre todo, colecciones que hoy llamaríamos nacionales, devotas a la cultura con la que se identificaba cada uno de esos pueblos, lo que explica también el carácter sagrado que se los atribuía y el misterio que las rodeaba, En Alejandria, por el contrario, se buscaba la universalidad, el conocimiento por el conocimiento, y por eso se acumulaban y se cruzaban saberes, fuese cual fuese la latitud o la cultura de la cual eran originarios. En las salas y corredores de su mitica bi­blioteca, se amontonaban por millares los rollos de pergamino, venidos de los cuatros rincones del mundo y escritos en la más diversas lenguas. Ahí eran catalogados, estudiados, comparados, traducidos. Se ignora la localización exacta y la forma arqui­tectónica que presentaría ese primor intento de poseer el universo, dominando y descifrando su representación en los libros. Se presume solamente que se erguia no muy lejos del puerto, abierta al vaivén de los barcos que cruzaban el Mediterráneo, trayendo a menudo, apretados entre las más diversas mercancias, nuevos rol los y volúmenes.

La biblioteca de Alejandria ardió, o fue destruida, no se sabe, pero el sueno de reunir la inmensidad de los textos en los cuales el mundo se desdobla y desvenda, bajo grafias y lenguajes diversos, perdurá hasta nuestro tiempo, recuperada por el huma­nismo del Renacimiento. A inicios del siglo XVII vemos generalizarse el modelo que preside las bibliotecas modernas, imbuídas, no sólo por el gusto de coleccionar, pero también, y sobre todo, por la noción de que el saber es algo que solamente crece com­ partido. En la Edad Media, los libros llegaron a atarse con cadenas y candados, ya sea porque eran objetos raros o porque con­tinuaban siendo asociados a un saber que los copistas reproducían en el silencio de los monasterios, paralelamente con lo sagrado, exactamente como en las civilizaciones más antiguas. En el humanismo, por el contrario, se afirma una nueva clase de gente, la burguesia intelectual, formada por esa institución europea que es la universidad, através de la cualla pasión por los libras se reinstala, convencida ahora de que la ciencia es algo siempre por terminar, algo que se hace por la confrontación entre lo nuevo y lo viajo. Las bibliotecas públicas surgen para corresponder a esa nueva actitud: la de la Universidad de Coimbra, que en 1597 aumentaba a sus estatutos un parágrafo en el que asumia expresamente esa condición; la Bodleiana, de Oxford, abier­ta en 1602; la Ambrosiana, de Milán, en 1609, la Angélica, de Roma, en 1620, la dei cardenal Mazarin, de París, en 1643, y asi suce­sivamente, un poco por todo el mundo de las letras, hasta llegar a esa metáfora viva que es la Biblioteca del Congreso, abierta en 1800, en Washington, donde el saber y el poder del pueblo se dan las manos, como si de hecho, a la democracia le fuese imposible pensar sin la mediación de ese nuevo instrumento que son las luces de la razón reflejadas en los libros.

Marcadas por el gusto arquitectónico de la época en que van siendo construidas, lo que sobresale en cada una de estas bibliote­cas, más que su adecuación funcional, es la forma como alias se incorporan y aprovechan una determinada idea del saber. La mayo­ria deveces son espacios monumentales, construidos de raiz sobre lo que restaba de un antiguo palacio, ostentando en sus paredes frontones, a la parcon uno u otro busto de mecenas que ahi encuentran la inmortalidad posible, esculturas con alegorias de las artes y las ciencias, dándose las manos en un concierto barroco de querubines y diosas en equilíbrio inestable sobre pilas de libros u hoje­ ando páginas donde se pueden ver leyendas que consagran las virtudes del saber. Sin embargo, allí dentro, en el interior de esos monumentos donde se celebra, en simultáneo, lo que quedó del pasado y la creencia en el progreso, quetiene lugar lo más auténti­co de las bibliotecas. Es alli que el silencio se impone, un silencio que es reminiscencia del secreto y de los misterios que hacían parte del mundo de los templos, donde estaban antes los libros, pero que continúa ahora justificándose como condición de lectura. El silencio es, por decirlo de alguna manera, el elemento de las bibliotecas, el objetivo primordial de la arquitectura que a ellas se dedica. Todo el diálogo que alli se entabla es entre los autores y sus lectores, por interpuesto volumen, y para que él sea posible es necesario que lo principal dei espacio de las bibliotecas públicas inspire y cultive el silencio. Es evidente que hay cuestiones que resolver y que hay otros menesteres y actividades que se desarrollan en el edifício de las bibliotecas. Sin embargo, nunca se debe perder de vista ni perturbar lo esencial, aquello para lo cual ellas existen y que es ese momento de auténtica revelación que la ledura puede ofrecer y que sólo en el silencio se acostumbra a dar. Tal como en los teatros, pero por razones exactamente opuestas, hay en las bi­bliotecas un problema de acústica, para cuya resolución no bastan las regulaciones y que, por eso mismo, convoca la arquitectura.

Al lado de los espacios dedicados a la consulta,están los espacios donde se guardan los libros. Hasta hace no poco tiempo, las dos funciones estaban contíguas. En las grandes bibliotecas que conocemos de la antigüedad, las estanterias forran totalmente las paredes, en medio de as cuales se cuelgan galerias que dan acceso a los estantes mas elevados. Cercadas por esos millares de lomos, con encuadernaciones más o menos lujosas, se enfilan llas mesas y las sillas, que son, muchas veces, muebles de estilo. Alrededor, reina un cierto tipo de solemnidad, austera pero sin convencionalismo, sobre la cual se derrama, timidamente, una luz colada por los vitrales de las claraboyas y de una u otra ventana. Porque tenemos también un problema de luz en las bibliotecas. Es necesario, por un lado, no afectar el ambiente de serenidad y de reflexión en los salones de ledura, por otro, no agredir la fragilidade los materiales con los cuales están hechos los libros. Pero, hoy en dia, por lo menos en las grandes bibliotecas, ya no existe esa cohabitación de la curiosidad de los ledores con la multitud detítulos visibles en los lomos, y los primeros pasos en la peregrinación ai saber se dan en esa antecámara que son los variados tipos de catálogos, Los libros, reposan en sótanos blindados o en torres inac­cesibles a los legos, permanentemente vigilados y protegidos para que ningún exceso de luz o de humedad los ponga en riesgo.

Entramos asi en un nuevo género de biblioteca, donde el espacio se ramifica, ya no solamente como antes, en réplica de la arborescencia en la que se representaba el saber medieval, poro en resultado de sucesivos desenvolvimientos de las funciones que se desenlazan en su interior. Hacia atrás, crecen los depósitos, para acoger cada dia más documentos, y además el arsenal de tecnologías destinadas a reparar aquellos que se van deteriorando, en un afán de coleccionar y preservar siempre más especies.Hacia adelante, a su vez, se multiplican los salones de lectura, a los que se anaden chora los centros audiovisuales y multimedia, ai mismo tiempo que se crean nuevas puertas de acceso, reales o virtuales, y nuevas llaves para que ellector pueda, lo más rápi­damente posible, obtener la información que busca. Las bibliotecas tienen cada vez más una vocación de laboratorios, fábricas donde se acondicionan y preparan de mil maneras y en soportes cada vez más sofisticados, los restos del pasado y del presente para la posible curiosidad del futuro. A pesar de eso, como observa George Steiner, refiriéndose a la British Library y a la Bibliothéque François Mitterrand, las más recientes de las grandes bibliotecas, «ellas son, en gran medida, mausoleos suntuosos a los que se asocia, a pesar de su arquitectura modernista y afirmativa, un aura de sepulcro, de inmovilidad solemne, insepara­bles de su propio concepto de museo y de archivo», Mientras que, como anade Steiner, su actividad nos hace recordar a una especie de «centauros, con mitad de santuarios y mitad de futuroscopios». Pero las tecnologías de producción, almacenamien­to y circulación del saber vaticinan un desequilibrio cercano a este cuerpo ambivalente. Y llegará, tal vez, un dia en el que sola­mente la segunda de las mitades dei centauro sobreviva, no quedándole a la primera otra función que no soa la de simple testi­go de lo que fueron, y de los que aún son hoy, las bibliotecas. En ese momento, estarán seguramente más cercanas a lo que alguna vez estuvieron de contener todas las representaciones del universo y todas sus combinaciones posibles. La Biblioteca de Babei ya se dibuja en el horizonte, aunque soa, por ahora, imposible prever, o siquiera imaginar, su forma arquitectónica. "

domingo, dezembro 24, 2006

As Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (1958-2002)

Para o início efectivo das bibliotecas móveis em Portugal é apontado a data de 1953, referente ao início dos serviços de uma biblioteca-circulante, implementada por Branquinho da Fonseca, no Museu-Biblioteca do Conde Castro Guimarães, em Cascais, onde na altura exercia funções de conservador-bibliotecário. Esse carro-biblioteca deslocava-se até “às associações, escolas e lugares centrais das povoações, proporcionando, através do empréstimo domiciliário, o acesso ao livro pela população.” [Neves, pág. 3]. Era de carácter gratuito e o acesso às estantes era livre.

Biblioteca móvel, do Museu-Biblioteca do Conde Castro Guimarães, de Cascais
(ver fonte no fim do post)

Em 1958 a Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) criou, por sugestão do mesmo Branquinho da Fonseca, um serviço similar ao de Cascais, mas que almejava abranger todo o território nacional, incluindo mesmo os arquipélagos. Surgiu assim o Serviço de Bibliotecas Itinerantes (SBI), que B. da Fonseca dirigiu até à sua morte (1974). Este tinha como objectivos “promover e desenvolver o gosto pela leitura e elevar o nível cultural dos cidadãos, assentando a sua prática no princípio do livre acesso às estantes, empréstimo domiciliário e gratuitidade do serviço.” [Neves, pág. 3] Afigurava-se como tal um serviço de leitura pública moderna.

O público a quem era mais dirigido o serviço era sobretudo aquele que era mais parco no acesso à educação e cultura, habitando nas regiões mas desfavorecidas. estendendo-se a todas as faixas etárias. Todavia será no público mais jovem que este serviço terá melhor acolhimento, apesar de se pretender contemplar de modo símile todas as idades. (ver [Melo, 2004a])

“As bibliotecas itinerantes ou carros-biblioteca levavam a bordo cerca de dois mil volumes arrumados nas estantes. Nas prateleiras de baixo, encontram-se os livros para crianças, nas prateleiras do meio a literatura de ficção, de viagens e biografias e, por fim, nas de cima os livros menos procurados, de filosofia, poesia, ciência e técnica. Circulavam por territórios que abrangiam mais do que um concelho, permitindo, após o cumprimento das formalidades de inscrição e requisição, o empréstimo dos livros por períodos de um mês, prorrogáveis, sendo até possível efectuar reservas.” [Neves, pág. 3 e 4]

A opção inicial por bibliotecas itinerantes foi motivada sobretudo pelo facto de grande parte das populações nunca antes terem tido contacto com este tipo de serviço e como tal revelava-se essencial ser a biblioteca a deslocar-se até elas, até em razão dos potenciais leitores possuírem poucos tempos livres, e de os meios de deslocação dos mesmos serem escassos. Com os veículos móveis era possível chegar ao Portugal mais profundo, dos pequenos lugarejos, de habitações mais dispersas (e uma grande parte destes povoados nem se localizava propriamente no interior do país). Indubitavelmente o cerne deste serviço era o leitor e as suas efectivas necessidades, o que era algo incomum nas bibliotecas mais tradicionais portuguesas. (ver [Melo, 2004b, pág. 282-83 e 330-331])

Este serviço era em muitos casos o único contacto com os livros que se possibilitava a muitas populações. Todavia, observa-se o cuidado de não atender apenas à leitura lúdica (embora seria esta a mais saliente) mas também à leitura informativa e formativa, abarcando o maior número de temáticas possíveis (e também incluindo nestes manuais de estudo, oficiais). A escolha do fundo documental obedecia a critérios bem definidos, por uma comissão, e era publicado num catálogo, actualizado regulamente (o primeiro, de 1960, possuía 1674 títulos diferentes). No acervo das obras disponíveis foram-se incluindo mesmo, embora lentamente e com certas reservas, algumas obras que não eram muito do agrado dos dirigentes políticos do Estado Novo. Ressalva-se, todavia que o empréstimo deste tipo de obras, era restrito a certas pessoas. (ver [Melo, 2004a])

Bibliotecas Itinerantes (Citröen) da Fundação Calouste Gulbenkian
(ver fonte no fim do post)

Inicialmente, em 1958, foram colocadas em circulação 15 bibliotecas itinerantes (sobretudo na região de Lisboa e litoral), mas o seu crescimento inicial foi deveras acentuado, sendo que em 1961 já circulava pelo país (estendendo-se ao interior) um total de 47 veículos de marca Citröen. (ver [Melo, 2004b, pág. 334]) “No que concerne ao pessoal que assegurava o funcionamento destas unidades móveis, era constituído por dois elementos: o auxiliar e o encarregado, responsável pela biblioteca, a quem competia orientar o leitor nas suas escolhas de leitura”. [Neves, pág. 4] O encarregado “não tinha de de ter nenhum curso específico, nem sequer de ser diplomado, apenas precisando de ser alfabetizado, evidenciar alguma cultura geral, gosto pelo livro e predisposição para o contacto com o público”. Entre eles incluíram-se “grande número de intelectuais reconhecidos” como Alexandre O’Neill ou Herberto Hélder [Melo, 2004b, pág. 285]

A FCG estabeleceu parcerias com as autarquias, em que estas cediam instalações para depósitos de livros (cada carrinha tinha o espólio no interior e mais o dobro de reserva num espaço exterior) e pontualmente contribuíam para o pagamento das despesas, ao passo que à FGC arcava com o grande ónus das expensas (fornecer o acervo de obras, o biblio-carro, pagar os honorário do pessoal, o combustível, despesas de manutenção e conservação, etc). (ver [Melo, 2004b, pág. 283-84]) A Gulbenkian teve assim a incumbência de se substituir em grande parte ao Estado a sua função de criar uma rede de bibliotecas, até pelo facto de o Estado não estar muito interessado na formação de cidadãos plenamente esclarecidos e informados. Por outro lado, e reportando somente ao valor material do livro, o seu corrente acesso era na época apenas factível a classes mais favorecidas.

Este serviço itinerante teve desde o seu começo uma elevada recepção, sendo que somente três anos volvidos, em 1961, o número de leitores inscritos era de cerca de 250 mil e foram requisitados cerca de 2,5 milhões de livros. Apenas para se observar a acentuada evolução, no ano seguinte o número de leitores inscritos era já de cerca de 350 mil e foram requisitados cerca de 3,5 milhões de livros (ver [Melo, 2004b, pág. 334])

Gradualmente, desde o 2º semestre de 1959, foram-se instalando algumas bibliotecas fixas, sobretudo em locais de maior centralidade e inseridas em organismos públicos, o que induziu, pelo menos a um acréscimo mais paulatino dos efectivos móveis. Em 1962 já existiam 36 bibliotecas fixas e 47 móveis, o que já evidenciava uma razoável cobertura do país. “Em 1963 introduziram-se as bibliotecas itinerantes e fixas nos Açores e na Madeira. Em 1967 contabilizavam-se 205 bibliotecas (61 móveis e e 144 fixas) (ver [Melo, 2004b, pág. 334-335]. Ainda assim, só em 1972, é que a própria FCG deu por «concluída» a sua rede de bibliotecas itinerantes e fixas, totalizando, respectivamente, 62 e 166 unidades” Nesse ano existiam cerca de 475 mil leitores inscritos e foram requisitados cerca de 6 milhões de livros. [Melo, 2004b, pág. 291 e 334]. As Bibliotecas móveis sempre serviram aos povoados mais pequenos e periféricos ao inverso das fixas.

Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian (fonte)

Desde o início da década de 70 o projecto SBI vê a sua sustentação fragilizada no seio da FCG, pois esta pretendia que as despesas (bastante elevadas e com um 'retorno' algo dúbio) fossem repartidas com o poder central e local. Em 20-2-1974 chegou mesmo a existir uma reunião onde se discutiu a extinção da SBI, contudo a eclosão do 25 de Abril, mudou o panorama global e o serviço manteve-se, sofrendo algumas reestruturações.

No período (1981-1996) em que Vergílio Ferreira foi director do SBI, foi enfatizado a animação da leitura e a difusão literária e cultural. Deste modo forami reforçadas as actividades de promoção da leitura e dos livros (exposições, debates, encontros com autores, leitura de contos e poesia, etc.) nas bibliotecas Gulbenkian. Em 1983 o SBI foi renomeado SBIF (Serviço de Bibliotecas Itinerantes e Fixas da Fundação Calouste Gulbenkian).

Vergílio Ferreira”foi um defensor da manutenção do projecto de bibliotecas FCG, pois entendia que a proposta lançada pelo IPLL não era uma alternativa completa, dado não cobrir então todo o pais (excluía as regiões autónomos) e por não ter um serviço de unidades itinerantes.” [Melo, 2004b, pág. 302].

A implementação gradual do Programa Nacional de Leitura Pública, a partir de 1987, que visava a construção de bibliotecas de feição mais moderna de acordo com os princípios de Manifesto da UNESCO contribui para o decréscimo progressivo do número de efectivos da SBIF que se vinha registando desde o início da década da década, sobretudo de móveis que rapidamente se extinguiram (ver[Melo, 2004b, pág. 294-298]. Por outro lado muitas das novas biblioteca da Rede Nacional de Leitura Pública começaram a integrar o serviço de biblioteca itinerante. Contudo em muitos dos casos a gradual ausência das bibliotecas itinerantes da Gulbenkian das povoações, não foi colmatada pelos novos serviços móveis, sobretudo nos povoados mais periféricos.

Em 1993 o SBIF passava a SBAL (Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura) e em 19 de Dezembro de 2002 era definitivamente extinto.

Biblioteca Itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian
(ver fonte no fim do post)

No total, segundo aponta Manuel Carmelo Rosa, director do Serviço de Educação e Bolsas da Fundação Gulbenkian, o serviço de bibliotecas itinerantes e fixas da FCG emprestou ao longo de quarenta e quatro (1958-2002) anos cerca de 97 milhões de livros e, chegou a quase 29 milhões de leitores, distribuídos por cerca de três mil novecentas povoações. Para cumprir com sucesso esse serviço adquiriu ao longo dos anos mais de cinco milhões de livros. (ver notícia LUSA/RTP abaixo)

Estes números são muito diferentes do que Daniel Melo apresenta. Relativamente ao número de empréstimos, e apenas entre 1958 e 1989, este regista 140 862 248 livros emprestados; e no mesmo período de tempo relativamente a livros adquiridos regista 7 849 749 livros. [Melo, 2004b, pág. 334-335]. Na mesma obra de Daniel Melo é registado que apenas entre 1958 e 1990 o número total de leitores foi 46 423 881. Desses, cerca de 36 551 663 (78,7%) foram crianças e adultos [Melo, 2004b, pág. 343]. Estes valores evidenciam a enorme importância que este serviço da Gulbenkian assumiu em Portugal e espelham de modo singular o elevado sucesso que granjeou no seio do povo português.

A propósito, Carmelo Rosa lembra que quando uma biblioteca móvel era substituída por uma fixa todo o acervo da móvel (quer do seu interior, quer em depósito) era oferecido ao município. Em Dezembro de 2002 com a extinção do programa praticamente todo o acervo bibliográfico e documental transitou para as autarquias. (ver notícia LUSA/RTP abaixo)

Saliente-se que a Fundação Gulbenkian continua a prestar um fundamental apoio às bibliotecas portugueses, sobretudo Públicas e Escolares, agora não através de unidades físicas (fixas ou móveis), mas de programas, serviços, diversas iniciativas, apoio financeiro e material, etc. que lhes concede; e de eventos e iniciativas (conferências concursos, formações, etc.) que produz nos e a partir dos seus espaços. E como lembra Carmelo Rosa "no seu website tem disponível mais de 30 mil fichas de leitura relativas ao que mais importante se publicou desde a década de 60".

Biblioteca Itinerante (renovada) da Fundação Calouste Gulbenkian
(fonte)

Se desde finais da década de 80 o número de bibliotecas itinerantes da Gulbenkian diminuiu, essa redução foi sendo contrabalançada com o acréscimo sucessivo, de novas unidades referentes às bibliotecas não pertencentes à rede Gulbenkian. Estes bibliomóveis apresentam-se, regra geral, melhor apetrechados, incorporando já sistemas multimédia e informáticos. Por outro lado tem se vindo a diversificar o tipo de serviços móveis prestados, com a inclusão de bibliocaixas, bibliomalas, etc. A edificação de pólos e extensões das bibliotecas públicas não tem sido muito significativa, não servindo assim efectivo contraponto a este serviço. Na actualidade existem várias dezenas de bibliotecas públicas que prestam este serviço itinerante.

Na generalidade dos países da UE ou da OCDE, e basta olharmos para os nuestros hermanos, existe uma considerável profusão de redes de bibliotecas móveis. E na generalidade dos casos, não se tratam apenas de meros princípios verbais assinados num documento ou pontuais intercâmbios de serviços, produtos ou recursos humanos. São efectivas redes onde em muitos casos a mesma unidade móvel movimenta-se um raio de acção supra-concelhio, orientada por políticas de promoção da leitura e da literacia digital de âmbito regional.


Referências bibliográficas:

MELO, Daniel

2004a Leitura e leitores nas bibliotecas da Fundação Calouste Gulbenkian (1957-1987). [em linha] [consultado em 23/12/2006] Disponível em www: <URL>

2004b A Leitura Pública no Portugal contemporâneo : 1926-1987. Lisboa : Imprensa de Ciências Sociais. ISBN 972-671-137-1


NEVES, Rui – As bibliotecas em movimento. As bibliotecas móveis em Portugal. [em linha] [consultado em 23/12/2006] Disponível em www: <URL>
Comunicação apresentada no “II Congreso de Bibliotecas Móviles”, que decorreu em Barcelona, de 21 a 22 de Outubro de 2005.
(em formato word-pdf)

Gulbenkian emprestou 97 milhões de livros – notícia da Agência Lusa/RTP 18-7-2005



Fonte das imagens (referenciadas acima):

NEVES, Rui – As bibliotecas em movimento. As bibliotecas móveis em Portugal. [em linha] [consultado em 23/12/2006] Disponível em www: <URL>
Comunicação apresentada no “II Congreso de Bibliotecas Móviles”, que decorreu em Barcelona, de 21 a 22 de Outubro de 2005.
(em formato ppt)


quarta-feira, dezembro 13, 2006

"Palavras mágicas - IV Encontro de Contos e Contadores - Biblioteca Municipal de Lagos Dr. Júlio Dantas, 13 a 24/11/006

PALAVRAS MÁGICAS EM LAGOS 2006

IV ENCONTRO DE CONTOS E CONTADORES

13 a 24 de Novembro 2006

Biblioteca Municipal de Lagos Dr. Júlio Dantas


13 de Novembro

· “Espectacliê” pelo Algazarra Teatro de Marionetas

Contos de H. C. Andersen num espectáculo de marionetas de fios concluído com um pequeno ateliê para crianças

§ destinatários: grupos de crianças do pré – escolar e público em geral

§ 3 sessões: 10h; 14h; 16h

§ duração das sessões: 1h30m

§ n.º máximo de participantes: 60 crianças

§ marcação antecipada de grupos na Biblioteca Municipal


14 de Novembro

· Sessões de Contos com Carlos Moreira (Brasil)

§ destinatários: grupos escolares do 1.º ciclo EB e público em geral

§ 4 sessões: 9h30; 11h; 14h30; 16h

§ duração das sessões: 50/60 min.

§ n.º máximo de participantes: 70 crianças

§ marcação antecipada de grupos na Biblioteca Municipal

·· 21h30 – Sons e Palavras – “Contos do Jazz”

E se os contos da infância e o jazz se juntassem numa noite?

Composição e direcção musical de Hugo Alves (Orquestra de Jazz de Lagos) com palavras de Nelda Magalhães para o público em geral


15 de Novembro

· Conta – Contos com Máscaras por Carolina Marcolla

Ateliê para adultos com a duração de 7 horas

§ destinatários: bibliotecários, professores, educadores de infância, animadores, técnicos

de bibliotecas e todos os interessados em contar histórias

§ horário: 9h30 – 13h e 14h30 – 18h

§ n.º máximo de participantes: 15 pessoas

§ inscrição prévia na Biblioteca Municipal

·· 21h30 – “Julieta e Romeu” com Carolina Marcolla (Companhia Panda–Pá)

Espectáculo de teatro de máscaras para o público em geral

··· 22h30 – “Barlavento de Contos”

Estreia de contos e de novos contadores apadrinhados por Carolina Marcolla (Argentina)

§ destinatários: público em geral

§ inscrição prévia dos contadores que queiram participar na Biblioteca Municipal


16 de Novembro

·Sombras Encantadas” com Adelaide, Inês e Deborah

Lendas mouras algarvias contadas por duas contadoras e uma marionetista em teatro de sombras, seguido de uma oficina para as crianças

§ destinatários: grupos escolares do 1.º ciclo EB e público em geral

§ 2 sessões: 10h e 15h

§ duração das sessões: 1h30m

§ n.º máximo de participantes p/ sessão: 25 crianças

§ marcação antecipada de grupos na Biblioteca Municipal



17 de Novembro

· Leitura em Voz Alta por Cristina Paiva

Ateliê para adultos e jovens com a duração de 7 horas

Apoio: IPLB

§ destinatários: grupos de professores ou alunos e todos os interessados no tema

§ horário: 10h – 17h

§ n.º máximo de participantes : 15 pessoas

§ inscrição prévia na Biblioteca Municipal

·· 21h30 – “À Volta da Língua” por Cristina Paiva e Fernando Ladeira

Espectáculo de teatro sobre a poesia portuguesa para o público em geral


20 de Novembro

· Sessões de contos com Bia Quintella (Brasil)

§ destinatários: grupos escolares do ensino secundário e público em geral

§ 4 sessões:10h; 11h15; 14h30; 16h

§ duração das sessões: 50/60 min.

§ n.º máximo de participantes: 70 pessoas

§ marcação antecipada de grupos na Biblioteca Municipal

·· 21h30 –Formação de Leitores – Quando o todo é mais do que a soma das partes” pela Dra. Cristina Taquelim

Conferência para o público em geral


21 de Novembro

·conTApetes – Tapetes que contam histórias” com os conTApeteiros Nuno Coelho e Luís Correia Carmelo (Portugal)

§ destinatários: grupos escolares do 1.º ciclo EB, preferencialmente do 1.º e 2.º anos

§ 4 sessões: 9h30; 11h; 14h30; 16h

§ duração das sessões: 45/55 min.

§ n.º máximo de participantes: 25 crianças

§ marcação antecipada de grupos na Biblioteca Municipal

·· 21h30 – “Escritas que se contam” Encontro com os escritores Ana Paula Tavares (Angola) e Manuel Jorge Marmelo (Portugal) no Clube de Leitura de Lagos

Conversas à volta dos livros e das suas estórias, da literatura, da língua, da oralidade. E também partilha de leituras, venda de livros e sessões de autógrafos.


22 de Novembro

· “O Senhor dos Cordéis” – Sessões de contos com Thomas Bakk (Brasil)

§ destinatários: grupos escolares do 3.º ciclo EB e do ensino secundário e público em geral

§ 4 sessões: 9h30; 11h; 14h30; 16h

§ duração das sessões: 50/60 min.

§ n.º máximo de participantes: 70 pessoas

§ marcação antecipada de grupos na Biblioteca Municipal

·· 21h – 4.as de Cinema

“Histórias contadas nos quadros do cinema” com Maria João Clemente, realizadora de Cinema de Animação

Exibição dos filmes “Nicolau”, 2001 (adapt. do conto “O Senhor Nicolau”, de Miguel Torga) e “Sr. Nuit”, 2002, acompanhada de uma mostra dos materiais utilizados pela realizadora na produção dos filmes.


23 de Novembro

· Sessões de contos com Miguel Sermão (Angola)

§ destinatários: grupos escolares do 2.º ciclo EB e público em geral

§ 4 sessões: 9h30; 11h; 14h30; 16h

§ duração das sessões: 50/60 min.

§ n.º máximo de participantes: 70 pessoas

§ marcação antecipada de grupos na Biblioteca Municipal

·· 21h30 – “Barlavento de Contos”

Estreia de contos e de novos contadores apadrinhados por Jorge Serafim (Portugal)

§ destinatários: público em geral

§ inscrição prévia dos contadores que queiram participar na Biblioteca Municipal


24 de Novembro

· Sessões de contos com Jorge Serafim (Portugal)

§ destinatários: grupos escolares do 2.º ciclo EB e público em geral

§ 3 sessões: 11h; 14h30; 16h

§ duração das sessões: 50/60 min.

§ n.º máximo de participantes: 70 pessoas

§ marcação antecipada de grupos na Biblioteca Municipal

·· 21h30 –Roda de Contadores”

Serão de contos de encerramento com Ângelo Torres (Guiné Equatorial), Patrícia Amaral (Portugal) e Miguel Sermão (Angola) para o público em geral

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Durante as Palavras Mágicas

MOSTRA / VENDA DE LIVROS PARA A INFÂNCIA

13 a 24 de Novembro

Átrio da Biblioteca

ENTRADA LIVRE

MARCAÇÕES PRÉVIAS

Ø PARA OS GRUPOS ESCOLARES

Ø PARA A FREQUÊNCIA NOS ATELIÊS

Ø PARA A PARTICIPAÇÃO COMO CONTADOR

NO BARLAVENTO DE CONTOS


Fonte : Biblioteca Municipal de Lagos